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Doar os seus pulmões; uma decisão pela vida

A doação de órgãos é um assunto sensível para se pensar e discutir mas pode fazer a diferença entre a vida e a morte para alguém que espera por um transplante. São inúmeras as doenças que causam danos graves e irreversíveis aos pulmões mesmo com medicação ou cirurgia. Nestes casos, a única opção para restaurar a funcionalidade do pulmão poderá ser um transplante pulmonar. Na Europa existe escassez de dadores de órgãos. Em contrapartida é expectável que o numero de pessoas que esperam por um transplante pulmonar aumente. Este documento explica o que é a doação de órgãos, como pode beneficiar as pessoas e como se pode registar para se tornar um dador

Última atualização 26/04/2021
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O que é a doação de órgãos?


Doação de órgãos consiste na remoção de órgãos do corpo de uma pessoa depois de esta morrer. Estes são doados a indivíduos que têm órgãos danificados e que, por isso, precisam de ser substituídos. Receber um transplante pode salvar a vida de alguém e aumentar significativamente a sua expectativa e qualidade de vida. Todas as pessoas têm o poder de escolha sobre se querem doar os seus órgãos depois de morrerem. É necessário que este assunto seja discutido com amigos e família sendo melhor ponderar esta opção quando ainda se encontra de boa saúde. Na maioria dos países Europeus, é possível registar-se como dador de órgãos. No entanto, a doação requer sempre a autorização dos familiares do individuo depois deste morrer. Não existem boas ou más decisões no que concerne a doação de órgãos; no entanto é essencial manter a família informada uma vez que isto facilita na decisão final.

Quando é que posso tornar-me um dador?


A maioria dos órgãos são doados quando um individuo sofre um traumatismo grave que leva a danos cerebrais severos afetando a sua capacidade de respirar. O coração é mantido a funcionar por mecanismos artificiais, mas o individuo é incapaz de respirar por si próprio. Em cada país existem critérios legais restritos para quando um órgão pode ser doado. É tido em consideração o quão compatível os órgãos são e certos fatores como o género, idade, grupo sanguíneo tanto do dador como do recetor. É igualmente importante relembrar que a identidade do dador é mantida em anonimato não sendo divulgada ao individuo que recebe o órgão.

Lung transplants


Se um individuo com doença pulmonar grave, tentou todas as opções de tratamento possíveis e a sua condição de saúde não melhorou, então poderá ser elegível para um transplante pulmonar. A equipa de transplante certifica-se de que os pulmões são doados a indivíduos que receberão o máximo beneficio da doação e que tomarão conta desta dádiva. Por exemplo, indivíduos que não desistem de fumar não são considerados elegíveis para um transplante pulmonar. Em 2012, a chance de sobrevivência de pelo menos 3 anos para alguém que recebeu um transplante era de 65-75%. Quem se encontra na lista de espera para receber um transplante pulmonar encontra-se gravemente doente e tem, por norma, uma expectativa de vida de 18 meses ou menos. A sua qualidade de vida é susceptivel de ser reduzida significativamente. Os pulmões destes indivíduos apresentam danos graves levando a que estes necessitem de oxigénio 24h por dia para poderem continuar a respirar e/ou de uma cadeira de rodas para se poderem movimentar. Estes indivíduos podem receber um transplante pulmonar único ou duplo, ou um transplante cardiopulmonar dependendo da sua condição. Estes são os casos para muitas doenças pulmonares.

Quais os benefícios de um transplante?


A transplantação é a ultima opção no sentido de tentar levar a uma melhoria significativa da função pulmonar, proporcionando uma maior chance de sobrevivência. Para se perceber os verdadeiros benefícios de um transplante pulmonar, dois pacientes que receberam um transplante pulmonar partilham as suas historias:

Caso clinico: Kirstie Tancock

A Kirstie nasceu com Fibrose Quística. Os seus pulmões estavam tão danificados devido à doença que, aos 21 anos de idade, ela precisou de um duplo transplante pulmonar. A sua doença tornou-se tão grave que foi necessário conecta-la a um equipamento de oxigenação por membrana extracorpórea que lhe proporcionava a ventilação necessária para a manter viva enquanto esperava por um transplante.

“Passei a maioria da minha vida a lutar por respirar ou com uma tosse terrível e com os meus pulmões cheios de muco. Agora, eu consigo simplesmente respirar. Não preciso de pensar sobre isso, acontece naturalmente. Sinto-me livre, como se fosse a pessoa que sempre fui suposto ser, capaz de atingir objetivos que nunca pensei conseguir. “Tudo melhorou desde o meu transplante. Não existe nenhum regime médico durante todo o dia. Não há maquinas para levar comigo nas poucas vezes que saio à rua. Não preciso de me preocupar de não ter criado caixas de memoria e planear o meu funeral. Posso correr, posso cantar, posso rir, posso dançar e posso viver porque posso respirar. Se as pessoas estão a considerar tornar-se um dador de órgãos, eu perguntaria se a sua filha, irmã, irmão, mãe, filho, marido, mulher, precisassem de um transplante que lhes salvasse a vida, será que eles quereriam recebe-lo? Se estão dispostos a aceitar um órgão têm que estar dispostos a dar um.”

Caso clinico: Justine Laymind

Justine sofreu com uma doença pulmonar rara conhecida como Lymphangioleiomyomatosis. Esta condição leva a um declínio progressivo da função pulmonar e não possui nenhuma cura conhecida. A doença afeta geralmente mulheres na idade fértil. Justine sofreu 15 colapsos pulmonares acompanhado de dores severas no peito durante muitos anos. Gradualmente a sua função pulmonar decresceu até que foi hospitalizada com apenas 30% de capacidade pulmonar. Necessitava de oxigénio todo o dia e era dependente de cadeira de rodas. Esteve inclusive em coma induzido durante um período de tempo. Depois de 3 alarmes falsos e 16 meses no hospital, foi-lhe dito que um par de pulmões tinha sido doado e que ela poderia receber um transplante.

“Não consigo colocar em palavras como me senti neste momento. Foi como se todo o espaço se iluminasse. O pensamento de que alguém teria morrido recentemente era perturbador mas isto era um maravilhoso e generoso presente que eles tinham deixado para trás. Sai do hospital após 3 semanas e nunca mais precisei de oxigénio ou de cadeira de rodas. Para além das melhorias na minha condição física, também mentalmente eu era uma pessoa diferente. Agora defino um objetivo novo todos os anos. Aprendi uma série de novos desportos e participei nos Jogos Europeus para Transplantados. Também naveguei à volta do mundo e visitei países que nunca poderia ter feito antes. “Estou muito agradecida por este presente e agora faço questão de viver a minha vida ao máximo. Encorajo mais pessoas a conversarem sobre a doação de órgãos e a garantir que todos estejam cientes disto. A maioria das pessoas gostariam de receber este presente se tivessem estado na minha posição e espero que isto as encoraje a pensar em dá-lo a outros.”

Os indivíduos que recebem transplantes continuam a ter que tomar medicação para o resto da sua vida de forma a evitar infeções e a rejeição do novo órgão. Têm também que visitar regularmente o hospital para verificar como é que o seu corpo está a reagir ao novo órgão. Para além disso, estes pacientes participarão em programas de reabilitação pulmonar e receberão conselhos em como conduzir uma vida ativa para que possam beneficiar ao máximo dos pulmões que receberam. No entanto, este nível de cuidado é muito inferior quando comparado aquele que o individuo necessitaria antes do transplante. Para além disso, é comum observarem uma melhoria significativa da sua qualidade de vida.

Quais são os riscos do transplante?


The main risk is that a person’s body could reject the new lung. This results in the immune system attacking the new tissue, as it believes it to be harmful. This can lead to a reduced lung function, which could happen quickly or slowly over time. There are many different drugs that can be taken to try to stop the immune system rejecting the organ.

Como é que posso doar os meus pulmões?


O processo de doação de órgãos varia de país para país. Em certos países Europeus como a Espanha, Áustria e Bélgica os cidadãos são automaticamente considerados como dadores apesar da sua família ser consultada independentemente depois de morrerem. No entanto, um individuo tem sempre a opção de optar ativamente na escolha, o que significa que neste caso a família é apenas informada da decisão. Por outro lado, o individuo pode recusar ser dador caso não queira que os seus órgãos sejam usados. Noutros países, como o Reino Unido, é necessário voluntariar-se e optar por se tornar um dador após morrer. É importante informar que será um médico, que nunca terá tido contacto com o individuo, que determinará se os seus órgãos são viáveis para serem doados. Isto assegura que as decisões de tratamento em vida nunca serão tomadas com base na decisão de doar ou não os órgãos após a morte. Verifique qual a politica usada no país onde vive de forma a descobrir como doar os seus pulmões. Pode começar por consultar o website do Global Observatory on Donation and Transplantation (Observatório Global sobre Doação e Transplantação).

Quais os factores que podem impedir que os meus órgãos sejam usados?


Quais os factores que podem impedir que os meus órgãos sejam usados? Existem inúmeras razões para que os órgãos não sejam viáveis para doação, mesmo que se tenha concordado em doa-los.

Doença: Apenas os órgãos funcionais e saudáveis podem ser usados. Órgãos de indivíduos com doenças como cancro, HIV ou uma qualquer doença infeciosa muito dificilmente serão usados num transplante.

Dano: Em caso de morte por trauma, os órgãos podem encontrar-se demasiado danificados para serem usados.

Consentimento familiar: Em alguns países Europeus e em caso de morte, os familiares da vitima são consultados e têm que dar permissão para que os órgãos sejam usados.

Mesmo que o indivíduo tenha acordado em doar os seus órgãos, esta decisão pode ser revogada pela família. É, portanto, essencial discutir o assunto com a família e amigos de antemão para que estes estejam cientes dos seus desejos.

Doação de órgãos entre países


A doação de órgãos entre países Europeus é um assunto complexo. Alguns países operam individualmente e não permitem que órgãos doados no seu país sejam transplantados em pacientes de outros países. Outros países, tais como os Escandinavos, pertencem a uma rede (neste caso a rede Scandiatransplant) que permite a troca de órgãos e tecidos vivos entre os centros de transplantes de 5 países diferentes. Este é também o caso da Áustria, Bélgica, Croácia, Alemanha, Luxemburgo, Países Baixos e Eslovenia , todos pertencentes à Fundação Internacional Eurotransplant

Ação União Europeia (UE)


A procura de órgãos supera a oferta por todo o território Europeu. Esta escassez leva ao trafico de órgãos, onde se tenta roubar e traficar órgãos para outros países a troca de dinheiro sendo esta situação fortemente condenado pelas sociedades de saúde e transplante pulmonar da Europa. Para ajudar a combater este problema em 2008, a UE propôs um plano de ação para a dádiva de órgãos e transplantação para 2009-2015 (‘Action plan on Organ Donation and Transplantation’ for 2009–2015). Uma das chaves prioritárias deste plano era o de aperfeiçoar a mobilidade dos pacientes e dadores como parte da cooperação entre estados membros. Mais informação sobre a atual estratégia da EU pode ser consultada no seu website: http://europa.eu/legislation_summaries/public_health/threats_to_health/sp0007_fr.htm

Leitura adicional


A Organização Mundial da Saúde (World Health Organization – WHO) estabeleceu um conjunto de diretrizes para a transplantação. Visite o seguinte link para melhor compreender sobre os princípios éticos envolvidos no assunto da transplantação, propostos pela WHO : www.who.int/transplantation.

Eurotransplant: www.eurotransplant.org

Scandiatransplant : www.scandiatransplant.org

This material was compiled with the help of Prof Gilbert Massard, Justine Laymond and Kirstie Tancock.

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