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Embolia pulmonar

Uma embolia pulmonar é um coágulo sanguíneo que se instala nos pulmões e constitui uma urgência médica. Se suspeitar que possa estar a sofrer uma embolia pulmonar, deve procurar um médico imediatamente.

Última atualização 17/02/2021
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Sinais e sintomas


Quanto mais cedo a embolia pulmonar for diagnosticada, maiores serão as probabilidades de uma recuperação total. Os sintomas podem incluir:

  • Dor aguda nas costas ou peito
  • Falta de ar repentina
  • Ritmo cardíaco muito acelerado
  • Expetoração com sangue
  • Desmaio ou tonturas
  • Inchaço, vermelhidão ou dor numa das pernas
  • Febre acompanhada de uma dor aguda no peito ou falta de ar repentina

Nem todas as pessoas que sofrem uma embolia pulmonar apresentam todos estes sintomas. Se tiver um ou mais destes sintomas é importante procurar tratamento médico imediatamente.

O que é uma embolia pulmonar?


Numa pessoa saudável, o sangue recolhe oxigénio nos pulmões, fazendo-o circular por todo o corpo. Uma embolia pulmonar ocorre quando um coágulo sanguíneo fica preso num dos vasos sanguíneos dos pulmões, impedindo assim uma circulação pulmonar adequada. Além de reduzir os níveis de oxigénio no sangue, uma embolia pulmonar pode afetar a circulação do sangue no resto do corpo e aumentar significativamente a pressão no coração. Uma embolia pulmonar é frequentemente associada à trombose venosa profunda (TVP) que ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma na perna (pode causar dor ou inchaço na perna com uma sensação de calor ao toque). A embolia pulmonar pode ocorrer quando uma parte deste coágulo se rompe e fica presa num vaso sanguíneo nos pulmões. Há boa possibilidade de recuperação depois de sofrer uma embolia pulmonar, se esta for diagnosticada precocemente. No entanto, uma embolia pulmonar é uma emergência médica grave e o risco varia de pessoa para pessoa. Uma embolia pulmonar afeta os pulmões, o coração e a circulação sanguínea. Por isso o tratamento é realizado por médicos especialistas nestes diferentes órgãos e sistemas.

Causas e fatores de risco


Conhecer a causa da sua embolia pulmonar pode ajudar o seu médico a tratá-lo, mas em alguns casos a causa pode nunca vir a ser identificada. Algumas causas comuns são:

Cirurgia

Os coágulos sanguíneos podem formar-se ao redor da zona da cirurgia e deslocar-se para os pulmões, causando uma embolia pulmonar. Isto pode ocorrer após uma cirurgia ortopédica ou às articulações, tais como uma artroplastia da anca/joelho.

Gravidez

As mulheres grávidas ou puérperas têm um risco acrescido. Este risco é maior nas mulheres que engravidaram através da fertilização in vitro (FIV).

Lesões graves

Uma lesão grave, como uma fratura óssea, pode aumentar o risco de uma embolia pulmonar.

Cancro

Alguns tipos de cancro aumentam a probabilidade de formação de coágulos sanguíneos, que podem causar uma embolia pulmonar.

Imobilidade prolongada (por exemplo, viajar de avião, estar hospitalizado ou em repouso prolongado em casa)

Permanecer imóvel durante um período de tempo prolongado pode aumentar a probabilidade de formação de coágulos. Estes fatores aumentam a predisposição para uma TVP que, por sua vez, pode desencadear uma embolia pulmonar.

Terapêutica hormonal de substituição (THS) e contracetivos orais

As pessoas que recorrem à terapêutica hormonal de substituição (THS) oral (comprimidos THS) ou que tomam pílulas combinadas (estrogénio e progesterona) correm um risco maior de sofrer uma embolia pulmonar.

Trombofilia

As pessoas que sofrem de trombofilia (uma condição predispõe à formação de coágulos no sangue) correm um maior risco de sofrer uma embolia pulmonar.

Insuficiência cardíaca ou fibrilhação auricular (um tipo de arritmia cardíaca irregular)

As pessoas a quem uma destas condições tenha sido diagnosticada têm um maior risco.

Outros fatores de risco

Alguns fatores não causam diretamente embolia pulmonar, mas podem aumentar a probabilidade de esta vir a acontecer. Por exemplo, o risco de sofrer uma embolia pulmonar aumenta à medida que envelhecemos e é mais provável que possa vir a sofrer uma embolia pulmonar se tiver excesso de peso, fumar, tiver níveis elevados de colesterol ou se não for uma pessoa fisicamente ativa.

As pessoas que já tenham sofrido uma embolia pulmonar ou uma TVP têm maior probabilidade de vir a ocorrer um novo episódio, bem como as pessoas que sofram de doenças prolongadas, incluindo problemas cardíacos ou de hipertensão arterial.

Diagnóstico


O seu médico irá perguntar-lhe sobre os seus sintomas e história clínica para avaliar se tem uma embolia pulmonar. O seu médico pode também solicitar a realização de análises, que podem incluir:

Medição da saturação do oxigénio arterial

Um nível baixo de oxigénio no sangue pode ser um sinal de embolia pulmonar. Poderá ter de realizar uma oximetria de pulso para medir a saturação do oxigénio arterial. Esta é uma análise simples e indolor feita através de um sensor colocado na ponta do dedo. As análises ao sangue também podem ser utilizadas para medir os seus níveis de saturação do oxigénio arterial.

Teste de D-dímero

O seu médico avalia os seus níveis de D-dímero (um tipo de proteína) no sangue. Níveis elevados podem ser um indicativo de embolia pulmonar e o seu médico solicitará a realização de mais exames.

Radiografia do tórax

Uma radiografiado tórax permite excluir outras doenças que possam estar na origem dos seus sintomas.

Angiografia pulmonar por TC e a cintigrafia pulmonar V/P (ventilação/ perfusão)

Uma angiografia por tomografia computorizada (Angio-TC) pulmonar é realizada com a injeção endovenosa de contraste iodado e permite obter imagens dos pulmões para identificar a existência de uma embolia pulmonar. A angio-TC pulmonar não é um exame adequado a todos os doentes devido à injeção de contraste iodado. Por exemplo, não é adequada para os doentes com insuficiência renal. Outra opção é a cintigrafia pulmonar V/P (ventilação/perfusão) que é realizada através da injeção de um tipo diferente de contraste para analisar o fluxo de ar e o fluxo sanguíneo nos pulmões.

Ecografia

O seu médico pode solicitar a realização de uma ecografia para identificar uma TVP (um coágulo sanguíneo na perna) que possa estar na origem de uma embolia pulmonar.

Ecocardiograma

Se o seu médico suspeitar uma embolia pulmonar, pode solicitar a realização de um ecocardiograma para observar o coração.

Tratamento


Para o tratamento inicial de uma embolia pulmonar pode ser necessário um internamento de curta duração (1 a 3 dias) ou pode ser realizado um tratamento ambulatório e, nesse caso, não precisa de ficar internado/a. Isto depende do país onde está a ser tratado/a e do nível de gravidade da sua embolia pulmonar. O tratamento pode variar de pessoa para pessoa, dependendo das suas condições no momento em que deu entrada no hospital e da certeza do seu diagnóstico. Dependendo das condições em que se encontrar, o seu médico pode prescrever a administração endovenosa de um trombolítico logo após a sua entrada no hospital para dissolver quaisquer coágulos que se tenham formado no seu corpo. Pode também receber um tratamento contra o choque (hipotensão arterial). Alguns doentes têm de realizar exames e tratamentos adicionais com base na causa mais provável da embolia pulmonar.

Prevenir uma embolia pulmonar futura


Antes de prescrever a medicação para evitar uma embolia pulmonar futura, o seu médico fará uma avaliação de todos os medicamentos que está a tomar. Deste modo, o médico certifica-se de que não existem interações medicamentosas (efeitos adversos que podem ocorrer com a combinação de dois ou mais medicamentos). No entanto, é importante não esquecer de ler a bula e conversar com o médico caso existam dúvidas.

Anticoagulantes

Estes fármacos ajudam a prevenir a formação dos coágulos e, deste modo, a reduzir a probabilidade de voltar a ter uma embolia pulmonar.

A ingestão de anticoagulantes pode interferir com outras condições da sua vida uma vez que dificultam a coagulação do sangue quando esta é necessária (por exemplo, em caso de pequenas feridas). Fale com o seu médico para obter mais informações sobre os efeitos que os anticoagulantes podem ter em si e sobre o que fazer em caso de emergência. Isto é particularmente importante se estiver grávida ou se estiver a planear engravidar, ou ainda se receber cuidados médicos ou dentários num futuro próximo.

Aconselhamento e tratamentos adicionais

Gerir as causas da embolia pulmonar pode ajudar a reduzir o risco futuro. Por exemplo, o seu médico pode sugerir que use meias de compressão para reduzir o risco de uma TVP nas suas pernas.
Pode também contribuir para a redução dos riscos ao deixar de fumar, manter um peso adequado, ter uma dieta saudável e aumentar os seus níveis de atividade.

Monitorização

Se estiver a tomar determinados tipos de fármacos anticoagulantes para prevenir a formação de novos coágulos, o seu médico pode solicitar que regresse ao hospital ou à clínica para um controlo. Estas consultas adicionais servem para verificar se está a administrar a dose correta e se não existem outras complicações com a medicação que lhe foi prescrita.

O seu médico deverá voltar a observá-lo numa consulta de seguimento para verificar se existem efeitos a longo prazo resultantes da embolia pulmonar, tais como a falta de ar. Esta é também uma boa oportunidade para colocar questões
e expor todos os problemas que lhe possam causar preocupação.

No entanto, se desconfiar que poderá estar a sofrer de um novo episódio de embolia pulmonar, não aguarde pela próxima consulta e procure ser avaliado pelo médico imediatamente.

Gravidez e pós-parto


O risco de sofrer uma embolia pulmonar é maior nas mulheres grávidas e puérperas. O diagnóstico pode também ser mais difícil dado que alguns dos sintomas da embolia pulmonar podem confundir-se com algumas condições características de uma gravidez normal (por exemplo, a falta de ar). Por este motivo, o médico terá de ser mais cuidadoso ao realizar o diagnóstico e tratar a embolia pulmonar a fim de evitar quaisquer riscos para o bebé e para a mãe.

Conclusões


Quanto mais rapidamente for diagnosticada e tratada a embolia pulmonar, melhor será o resultado. As pessoas com embolia pulmonar que tenham sido tratadas com sucesso podem viver uma vida normal e saudável. No entanto, é importante tomar medidas a fim de reduzir o risco futuro e procurar tratamento para eventuais doenças de base.

Risco para familiares


Se sofreu uma embolia pulmonar, existe um risco acrescido de os seus ascendentes ou descendentes diretos em primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) poderem vir a sofrer uma embolia pulmonar em qualquer fase das suas vidas. Ter conhecimento disto pode ajudar os seus familiares a tomarem decisões mais informadas com os seus médicos sobre os cuidados de saúde que devem ter a fim para reduzirem o seu risco futuro.

Mais informações


La European Society of Cardiology (ESC) elaborou orientações destinadas aos profissionais médicos na área da embolia pulmonar aguda (publicadas em agosto de 2019) em colaboração com a ERS. Estas orientações são de livre acesso ao público e podem ser descarregadas no website da ESC e do European Respiratory Journal.

Este folheto informativo foi produzido em outubro de 2019.

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