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Tuberculose

A tuberculose (TB) é uma doença causada por uma bactéria chamada Mycobacterium tuberculosis.

Embora frequentemente seja considerada uma doença do passado em países de rendimento elevado onde o número de pessoas que a contrai é inferior, a TB ainda afeta cerca de 10 milhões de pessoas todos os anos.

A TB pode ser curada quando as pessoas são diagnosticadas a tempo e o tratamento é seguido corretamente. Se o tratamento não for concluído, se for parado demasiado cedo ou se não for tomado regularmente conforme prescrito, as bactérias que causam a infeção podem sobreviver e ficar mais fortes. À semelhança de outras infeções, a TB desenvolveu estirpes que já não respondem a determinados antibióticos, o que torna o tratamento desses casos muito mais difícil.

O tratamento da TB é complexo. Geralmente, requer pelo menos quatro medicamentos diferentes durante vários meses.

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Sintomas


Embora a tuberculose seja mais frequentemente diagnosticada nos pulmões, qualquer órgão do corpo humano pode ser afetado pela doença.

Em geral, o aparecimento da TB é relativamente lento, com os sintomas a durarem duas semanas ou mais. Os principais sintomas da TB são:

  • Febre
  • Diminuição do apetite
  • Perda de peso
  • Suores noturnos
  • Tosse persistente
  • Tosse com expetorações de sangue numa fase avançada

Causas


A TB é uma doença infeciosa transmitida pelo ar. Propaga-se por gotículas no ar, através de um espirro ou tosse de pessoas infetadas pelas micobactérias.

O risco mais elevado de desenvolver a tuberculose é entre as pessoas que estão em contacto próximo e regular com alguém com a doença. Estudos têm demonstrado que as crianças com idade inferior a cinco anos são especialmente vulneráveis quando estão em contacto próximo com uma pessoa com TB: cerca de 1 em 2 crianças com idade inferior a cinco anos que vivem em estreito contacto com alguém com TB irão desenvolver a doença. Para os adultos na mesma situação, a relação é de 1 em 10.

Uma vez que pessoa seja infetada pelas bactérias, pode rapidamente desenvolver a doença, tornar-se contagiosa, apresentar sintomas e necessitar de tratamento. Isto geralmente acontece em crianças e pessoas que têm um sistema imunitário debilitado. Esta é a designada “TB primária”. Caso contrário, uma pessoa terá uma infeção latente em que não é contagiosa e não apresenta sintomas. 5 à 10% das pessoas com uma infeção latente podem desenvolver TB ativa. Antigamente,
era a chamada “TB latente”, mas agora diz-se que é uma infeção por TB sem manifestar ainda o desenvolvimento da doença. Por vezes, o corpo pode manter os germes sob controlo durante meses, ou até anos, antes de estes causarem sintomas.

A TB normalmente propaga-se quando alguém que tem tuberculose pulmonar tosse gotículas minúsculas que uma outra pessoa inala. Se uma pessoa tiver TB noutras partes do corpo, como nos ossos ou nos gânglios linfáticos, ou se tiver uma infeção por TB mas ainda não apresentar os sintomas, não a pode transmitir.

 

Existem inúmeros fatores que aumentam o risco de desenvolver TB, incluindo a diabetes, a malnutrição, a exposição a medicamentos que suprimem o sistema imunitário e o tabagismo. Um dos fatores de risco mais importantes é o vírus da imunodeficiência humana (VIH) que não esteja a ser gerido por medicação. As pessoas que vivem com o VIH que não estão em tratamento, porque não sabem que têm VIH ou não podem obter o medicamento, são mais suscetíveis de contrair a TB. O seu risco é cerca de 20 a 37 vezes superior ao das pessoas que não tem VIH.

Prevenção


Uma vacina conhecida por vacina BCG foi introduzida em 1921. É conhecida por ajudar a prevenir alguns formas graves de TB nas crianças. A proteção da vacina diminui com a idade, pelo que não protege contra o desenvolvimento da TB nos adultos.

A vacina BCG é principalmente administrada em países onde a TB ainda é comum. Em muitos países europeus, a TB foi removida do calendário de vacinação de rotina assim que se tornou rara. Apesar disso, a BCG é a única vacina desenvolvida para
a TB e continua a ser a mais amplamente utilizada no mundo, sendo que, segundo a OMS, mais de 8 em 10 crianças foram vacinadas em 2023.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) a melhor forma de prevenir a TB é detetar eficazmente pessoas com a doença e utilizar medicamentos para a tratar. As estratégias da OMS, tal como a Estratégia de Erradicação da TB, contribuíram para uma redução na prevalência e incidência da tuberculose a nível mundial.

Quando uma pessoa é diagnosticada com TB pulmonar, pode ter de ser isolada no início para parar a propagação. Assim que o tratamento começa, os médicos verificam regularmente para determinar a que velocidade as bactérias estão a desaparecer e quando é seguro terminar o isolamento. As autoridades de saúde devem também verificar as pessoas que estiveram em contacto próximo com um paciente com TB. Algumas dessas pessoas podem já ter a TB e necessitar de um tratamento rápido, enquanto outras podem ter a infeção sem estarem doentes. Essas pessoas não necessitam de isolamento nem de um tratamento completo, mas um tratamento com antibióticos mais curto pode protegê-las de ficarem doentes mais tarde.

Diagnóstico e tratamento


A infeção por TB pode ser diagnosticada por uma análise de sangue, chamada ensaio de libertação de interferão gama (IGRA). Este teste verifica se os sistemas imunitários reconhecem a bactéria Mycobacterium tuberculosis. Indica se uma pessoa foi exposta à TB numa determinada altura, mas não permite determinar se a pessoa desenvolveu efetivamente a doença na sequência da exposição.

Quando a TB afeta os pulmões, são recolhidas amostras de flegma (esputo) de uma pessoa suspeita de ter TB e testada para a bactéria. Uma radiografia do tórax, e por vezes um TAC, são igualmente úteis para confirmar a presença da doença.

O tratamento visa curar a doença e evitar a sua transmissão para outras pessoas. O tratamento padrão dura cerca de seis meses, embora algumas pessoas com TB grave necessitem de mais tempo para curar. Durante os primeiros dois meses, é utilizado um tratamento intensivo com quatro medicamentos para matar as bactérias o mais rapidamente possível (para poder terminar o isolamento), evitando ao mesmo tempo a sobrevivência das bactérias que são resistentes a um deles (cada medicamento é protegido pelos medicamentos adjuvantes). Estes quatro medicamentos iniciais são a isoniazida, a rifampicina, o etambutol e a pirazinamida. Após dois meses, o tratamento prossegue apenas com a isoniazida e a rifampicina no tempo restante com o objetivo de remover as bactérias restantes.

Durante a segunda parte do tratamento, as pessoas começam a sentir-se muito melhor. No entanto, concluir esta parte do tratamento é essencial para assegurar que a TB não regressa. Quando as bactérias da TB sobrevivem ao tratamento, tornam­se resistentes a um ou mais medicamentos. Quando a TB é resistente aos dois medicamentos principais, a rifampicina e isoniazida, é a chamada TB multirresistente (TB-MR). Se a resistência aumenta para ainda mais medicamentos, pode tornar-se uma TB extremamente resistente (TB-XR). Estes casos necessitam de tratamentos especiais. Saiba mais sobre TB-MR e a TB-XR.

O grande objetivo das autoridades de saúde de todo o mundo é erradicar a TB, visando menos de 1 novo caso por milhão de pessoas até 2050. Este objetivo ainda está longe de atingir, pelo que um melhor diagnóstico, tratamento e prevenção são todos necessários para lá chegar.